Attilio Baschera e Gregório Kramer - Trecho #2

Lançamento do livro em novembro

junho 2020 | Design, Décor

Em mais um trecho antecipado do livro sobre os precursores Attilio Baschera e Gregório Kramer, revelamos hoje uma parte do depoimento de Andrea Moroni, figura fundamental da alta sociedade paulistana nos anos 1970 e 80. Desde quando Attilio e Gregório abriram sua primeira loja de tecidos para decoração, eles influenciaram e foram influenciados por uma mudança de comportamento que surgia na sociedade, o que impactava diretamente o estilo de suas casas. Em sua fala, Moroni explica como ambos se nutriam dessa convivência.

Não existiam bons tecidos brasileiros para moda ou casa, tinha apenas aqueles grosseiros, dos "turcos" da 25 de março, como se dizia. Os tecidos veramente bons vinham da Europa, as pessoas ou traziam de fora ou compravam em lojas de tecidos importados. Não se encontrava no país nada como os tecidos de Attilio e Gregório, tanto que eu os conheci quando os procurei na Larmod, que ficava em uma vila fechada no Jardins, para fazermos um tecido xadrez para a minha loja. Quando eles abriram a loja da Rua Bahia e passaram a ser conhecidos, todas as casas começaram a mudar, muitas mudaram dos tecidos pesados para os tecidos deles — nesse país quente, as pessoas ainda adoravam fazer as casas com veludos. Eles inventaram algo novo para São Paulo, algo que não existia: foram eles que começaram a trazer cores para a decoração, com seus tecidos nacionais com desenhos nacionais, coisas lindas, divertidas e brasileiras! Tudo foi recebido como uma grande novidade: repito, ninguém queria ter um móvel ou objeto brasileiro em casa até então, e eles tiveram grande êxito com essa ideia.

Sabe a sensação de encontrar pessoas que têm as mesmas ideias e referências que você? Foi assim com eles. A vida tem dessas coisas, de repente você passa toda uma vida com certas pessoas, nem se dá conta e elas viraram parte da família. A primeira vez que os convidei para uma festa foi em 1974, quando voltei de uma viagem longa pela China de Mao Tsé Tung e dei uma festa chinesa na antiga gaiola de coelhos que tínhamos na chácara, que transformei em um pavilhão de festas. Quando meu marido e eu inauguramos o clube de polo Helvetia, em 1975, eu me lembro deles já presentes. Eles ainda não conheciam muito as pessoas da sociedade, acho que foi aí que começaram a conviver com toda essa gente, também através da Sylvia Kowarick. Éramos todos amigos! Os dois moravam na Rua Iguatemi, em um apartamento muito divertido, diferente, uma novidade. Esse apartamento tinha um visual clássico, mas diferente dessas imitações de móveis franceses que todo mundo tinha. Gente mais séria não usava aquelas coisas em suas casas, até hoje não usam, não ousa. Eles mudaram a ideia da casa em São Paulo, assim como os móveis brasileiros misturados aos italianos na minha chácara.
Andrea Moroni