Attilio Baschera e Gregório Kramer - Trecho #4

Lançamento do livro em novembro

junho 2020 | Design, Décor

Entre os muitos depoimentos para o livro de Attilio Baschera e Gregório Kramer, que a Olhares vai publicar no final do ano, Glória Kalil aponta as mudanças de gosto nos anos 1970, que faziam as pessoas experimentar mais e ao mesmo tempo buscar novas referências, entre as quais a dupla se destacou no mundo da decoração. Ela explica no trecho que destacamos nessa edicão.

Nos anos 70, as pessoas queriam ser jovens e atuais em tudo, da roupa à casa. A gente queria jogar tudo fora, todos os móveis da casa da avó — eu me lembro de comprar um conjunto de jantar de acrílico transparente! Attilio e Gregório influenciaram muito a mudança de gosto no Brasil, por levarem o gosto extremamente refinado deles a um público maior. Eles imprimiram modernidade aos tecidos: Attilio desenvolveu um desenho característico, com muito fundo branco, que era algo muito moderno; eles usavam algodão e uma série de matérias-primas que não se usava, muito diferentes dos brocados e veludos, aquela coisa da casa européia clássica. O high-tech apareceu nessa época, com os móveis pré-fabricados de aço. O mundo inteiro estava indo nessa direção, algodão ao invés de brocado, cestaria ao invés de mármore — e eles trouxeram isso para o Brasil com cultura, leveza e tropicalidade. As estampas puxavam nitidamente para os temas brasileiros, com motivos de cenas históricas, plantas, frutas, pássaros, porcelana, motivos indígenas.

Sem dúvida, Attilio e Gregório levaram a visão do mundo da moda para o mundo do design. A moda não é restrita apenas ao vestuário, ela se aplica em qualquer área: novos serviços bancários, novos sabores de refrigerante, novos modelos de carros, novos tecidos para casa. É um conceito de renovação permanente do mundo econômico. Attilio e Gregório eram uma marca, e só quem tem força de marca consegue introduzir modificações. Eles conseguiram enfiar na cabeça da mulher que ela podia se livrar da seda e do veludo, que seria muito chic usar um algodão com estampa de coqueiros. Eles tinham aval para isso, eram formadores de opinião. Se uma pessoa que você não conhece e não respeita diz que algodão é chic, você não acredita. Essa é a importância da marca, a marca confere aval. Se você vestir uma roupa esquisita que a etiqueta diz “Prada”, ninguém duvida que aquilo é bom ou, pelo menos, moderno; se for uma roupa esquisita sem marca, ninguém vai gostar.

Glória Kalil