Localizada no centro de Sydney, a construção traz diversas soluções inteligentes, como reaproveitamento de água, horta auto irrigável e até um viveiro de peixes

A fachada original de alvenaria tinha um significado cultural e paisagístico para a área e foi reconstruída de forma a preservar suas principais características. As aberturas das janelas originais foram emolduradas em aço pré-enferrujado e justapostas a novas aberturas também em aço.  | Fotos: Michael Lassman, Ryan Ng & Murray Fredericks.

“Uma casa deve ser uma máquina para sustentar a vida”. Este foi o mote utilizado pelo escritório australiano CplusC, liderado pelo arquiteto Clinton Cole, para este projeto. A frase é uma adaptação contemporânea à famosa dita por Le Corbusier há quase 100 anos “uma casa é uma máquina para se viver”. 

O conceito de autossuficiência da construção foi levado ao pé da letra na reforma desta casa localizada em uma área de preservação no centro de Sydney. O terreno triangular de 90 m² no qual ficava uma loja de dois andares em mau estado de conservação foi completamente ressignificado ao receber a casa de três andares batizada de Welcome to the Jungle House. 

Uma escada em espiral central conecta os três andares e atua como um poço de luz.  | Fotos: Michael Lassman, Ryan Ng & Murray Fredericks.

“O projeto tem uma grande variedade de materiais e acabamentos, mas o aspecto predominante e unificador é que eles são utilizados em seu acabamento bruto, natural”, explica Clinton em entrevista ao Janela. Isso é visto tanto na fachada sem pintura, quanto nos materiais aparentes nos espaços internos, como a madeira oleada, o latão e o aço inoxidável. “Esta expressão honesta de matérias-primas naturais é um dos temas mais consistentes em todo o nosso trabalho. Não tentamos fazer um material parecer algo que não é, sempre que possível.”

A ideia do projeto foi promover por meio da arquitetura a sustentabilidade como um estilo de vida. Para isso, várias soluções foram encontradas para transformar o local em referência não só para a família que vive ali, mas para toda a comunidade. Isso porque algumas destas medidas impactam diretamente quem mora no entorno da casa, como a horta no telhado – irrigada por meio de um complexo sistema que conecta a água da chuva, plantas internas e o viveiro de peixes no térreo da construção -, a colmeia de abelhas nativa e os painéis fotovoltaicos, que além de garantirem toda a energia necessária para a manutenção da casa têm seu excedente vendido de volta para a rede, barateando as contas de luz da região.

O primeiro andar abriga a área íntima, composta por uma suíte máster, dois quartos e banheiros. | Fotos: Michael Lassman, Ryan Ng & Murray Fredericks.

Além do uso de novas tecnologias, como a automação que desliga as luzes e aparelhos que não estão sendo utilizados naquele momento, elementos arquitetônicos foram essenciais para garantir conforto térmico e dispensar ar condicionado. A massa térmica no piso térreo retém calor por meio de aquecimento direto à luz solar e na laje o aquecimento elétrico deixa os dias mais frios confortáveis. A fachada interna, composta por uma variedade de plantas, também favorece o resfriamento natural. 

No térreo, uma sala e um banheiro com simpáticos ladrilhos azuis ocupam a maior parte da construção. O pavimento intermediário abriga a suíte máster, lavanderia e mais dois quartos e banheiros, enquanto no terraço estão todos os espaços de convivência, com living, sala de jantar e cozinha integrados e uma varanda. Os três andares são conectados por meio de uma charmosa escada em espiral.

“A maioria dos móveis é vintage, uma decisão consistente com o desejo de tomar decisões sustentáveis ​​em todas as oportunidades do projeto. Não tenho certeza de como os fabricantes de produtos e móveis de hoje podem continuar a afirmar, ano após ano, que seus novos produtos da estação são “atemporais”. A menos que tenha resistido ao teste do tempo, como muitas de nossas seleções de móveis, então com certeza não é atemporal”, explica Clinton. | Fotos: Michael Lassman, Ryan Ng & Murray Fredericks.

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