Com referências que vão de Disney à coxia de teatro, o arquiteto Mat Barnes transformou a construção para virar a morada de sua família

Uma parede de tijolos parcialmente demolida faz a intersecção entre a área de estar, último ambiente antes do jardim, e a cozinha. O ambiente é aberto para o lado externo por meio de uma porta de vidro, complementada por uma estrutura de vigas de metal e madeira no teto. | Fotos: Jim Stephenson.

Quem passa pela frente desta casa em Londres, com tijolos vermelhos na fachada como as outras construções da rua, nem imagina seu interior colorido e criativo. Isso porque ela passou por uma reforma radical comandada por Mat Barnes, diretor do escritório londrino Studio CAN, para virar morada do arquiteto e sua família. 

“Projetar para você mesmo tem o benefício de termos possibilidades infinitas e menos restrições. Acho muito mais difícil, porque você tem que viver em suas decisões ou erros”, conta Mat. A reforma, que aconteceu a toque de caixa, pois o casal estava à espera do segundo filho, precisou de ocorrer de forma rápida no meio da pandemia. “Acho que isso resultou em decisões mais ousadas (em termos de material e cor) porque não houve a oportunidade de nos convencermos do contrário.”

“Estamos rodeados por tantas cores e texturas no mundo exterior que para mim parece natural trazer muitos padrões e tecidos diferentes para dentro também”, diz Mat. | Fotos: Jim Stephenson.

Um dos pontos de partida do projeto está na fachada do quintal, inspirada na montanha russa Matterhorn da Disneyland. A ideia surgiu da pesquisa para um outro projeto, mas apenas nesta reforma foi aplicada. “Ela se encaixou perfeitamente com o que estávamos tentando alcançar nesta casa, um telhado ‘pesado’ para enfatizar a fragilidade”, conta Mat. A montanha é feita a partir de uma espuma de alumínio superleve montada em um chassi auxiliar de aço. 

Os outros ambientes, como a cozinha e área de jantar, seguiram a linguagem da “paisagem” montanhosa. A parede da área de jantar foi revestida em concreto, como uma caverna, enquanto a mesa representa um lago. O lado da cozinha segue o mesmo padrão, com armários na altura da bancada e portas de cores alternadas. “Parece um tanto grandioso ou cavernoso, com a variedade de materiais trazendo textura e um calor inesperado”, explica Mat. 

Uma escada, com a mensagem Waste Not Want Not (desperdício não quero não, em tradução livre) – referência ao arquiteto A.W Pugin e frase favorita da avó de Mat -, leva ao patamar da entrada da casa e a uma segunda escada que direciona ao segundo andar, onde ficam os espaços íntimos.

No andar superior, foram acrescentados um quarto e banheiro na reforma. O corredor neutro foi pensado para proporcionar uma sensação de calma e tranquilidade. O banheiro é o único espaço onde a linguagem dos ambientes do pavimento inferior impera. Os ladrilhos utilizados são semelhantes aos encontrados na demolição de uma das antigas lareiras. Complementam a ambientação luminárias pretas e brancas e um teto tangerina. | Fotos: Jim Stephenson.

A entrada da casa é o ponto mais escuro como se fosse a coxia de um teatro que leva ao palco, com uma sala em que quase todos os elementos são azul marinho: paredes, teto, móveis e molduras. A lareira é um dos poucos elementos que se destaca no mar de azul.  

“Nosso jardim dos fundos está voltado para o leste, e essa adorável luz salpicada vem por todo o corredor pelas manhãs. É uma casa adorável para morar, para as crianças brincarem e para nós desfrutarmos. Também é ótimo ouvir nossa filha dizer a todos que ela tem uma montanha no topo de sua casa!”

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