Mostra marca o início das comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922

Índios, déc. 1930, de Regina Gomide Graz. Acervo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Doação Fulvia Adolpho Leirner, 2018. MASP.10741. Fotografia: MASP

Há quase cem anos, o Teatro Municipal de São Paulo era palco de um evento emblemático que marcou para sempre a história da arte nacional e se firmou como o nascimento do modernismo brasileiro: a Semana de Arte Moderna de 1922. A exposição “Desafios da modernidade – Família Gomide-Graz nas décadas de 1920 e 1930”, que será inaugurada nessa terça (25) no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com curadoria de Maria Alice Milliet, inicia as comemorações deste centenário explorando um tema que não foi protagonista da semana, mas ajuda a expressar a modernidade nascente na época: as artes decorativas. Com esse olhar, o Museu busca expandir as fronteiras do tema nesse momento de revisão.

A escolha da família Gomide-Graz para essa estreia não foi por acaso. O trio formado pelos artistas Antonio Gomide, John Graz e Regina Gomide Graz foi pioneiro no art déco e na introdução de composições geométricas abstratas no Brasil por meio de objetos utilitários. Nascidos aqui, os irmãos Gomide se mudaram para a Suíça em 1913, onde estudaram na Academia de Belas Artes de Genebra e conheceram John Graz.

Tapete abstrato, déc. 1930, de Regina Gomide Graz. Coleção Fulvia Adolpho Leirner. Fotógrafa: Isabella Matheus.

Graz se casou em Regina em 1920, já no Brasil, e participou da Semana de 22. As obras de Regina Gomide Graz não foram expostas no evento do Teatro Municipal, embora sua participação tivesse sido anunciada em jornais da época. A curadora da mostra acredita que isso se deu pela natureza das obras e pelo fato de, até então, aquela ser uma área que era reservada aos homens.

Vaso, déc. 1930, de Antonio Gomide. Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Doação Fulvia e Adolpho Leirner, 2018. MASP.10740. Fotógrafo: Romulo Fialdini

Entre as cerca de 80 obras do trio que serão expostas, diversas foram emprestadas da coleção de Fulvia e Adolpho Leirner, maiores colecionadores particulares do estilo. A coleção pode ser conhecida de forma mais ampla no livro Art Déco no Brasil – Coleção Fulvia e Adolpho Leirner, publicado em 2020 pela Olhares, e que será relançado junto com o catálogo da mostra em junho, no MAM.

Painel, c. 1938, de John Graz. Coleção Fulvia e Adolpho Leirner. Fotógrafa: Isabella Matheus.

Importante lembrar que o museu segue um rigoroso protocolo de saúde e higiene implementado em colaboração com a equipe da Consultoria do Hospital Israelita Albert Einstein e as visitas ocorrem com hora marcada.

Serviço:

25 de maio a 15 de agosto

Museu de Arte Moderna de São Paulo

Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portões 1 e 3)

Terça a domingo, das 12h às 18h (com a última entrada às 17h30)

Ingresso: R$ 20. Domingo gratuito.

 www.mam.org.br/ingresso