Imagem muito replicada no Instagram e WhatsApp hoje | Reprodução.

“Foi com espanto que em dezembro último parei para observar, do viaduto do Chá, a paisagem do Vale do Anhangabaú como terra arrasada. Naqueles poucos minutos, encostado no guarda-corpo, tive uma sensação de volta ao tempo, mais precisamente aos anos 1970 e sua corrida rumo ao progresso das metrópoles que “não podiam parar de crescer” à custa do verde. Vieram a cabeça edições da extinta revista Manchete da época apresentando a obra do Minhocão e Praça Roosevelt.

Passado meio ano, recebo hoje uma enxurrada de fotografias do resultado das obras. A premonição se concretizou, literalmente. Ganhamos um novo “Minhocão” para a metrópole, uma eficiente ilha de calor urbana. Pior do que o já árido e desagradável Largo da Batata em Pinheiros, o novo Anhangabaú não tem árvores ou qualquer vegetação sobre uma enorme laje impermeável e absorvente de calor que deve passar de 15.000 m² de ponta a ponta. Isso em uma das regiões mais cinzas e com menores índices de verde da urbes. Tem alguns chafarizes de água, que conhecendo o histórico de manutenção de tais estruturas públicas assemelhadas, terá um futuro incerto, e isso sem refletirmos de onde virá o escasso recurso água.”

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